domingo, 3 de janeiro de 2016

NOVO LAÇO


Mensure o meu nome,
em tuas orações.
Recordando,
pelo menos uma vez,
de uma doce lembrança.

O universo bendirá o teu coração.
E, tuas mãos, unidas,
serão testemunhas
das boas intenções.

Não terão mensagens...
Nem o calor do abraço!
Só energia do cosmo
E, o feito de um novo laço.

Numa esquina...
No barco qualquer...
Na mesa de um bar.
Ou de onde vier.

No banco da praça!
No entardecer de um cais
No voo da garça.
Ou pelas Minas Gerais.

O teu espelho,
será o meu eu.
Teu silêncio,
o meu barulho.
Tua amizade,
um porto.
E, tua recordação,

mais um encontro!

Crisjoli Fingal

sábado, 2 de janeiro de 2016


O que restou não foi de ninguém
Nem espinhos e galhos cedidos
O perfume partiu com alguém
Levando consigo sonhos perdidos.
Com o tempo, se foi o botão...
Cedendo lugar à beleza da flor
As pétalas adormeceram ao chão
Sem lembranças da declaração de amor.

Crisjoli Fingal

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

UMA PARTE DE MIM



Há uma parte de mim, 
que me incomoda, me gira, me roda, 
que parece não ter fim.

Há uma parte de mim, que insiste em nós dois
revira o passado, mostra o lado do antes e do depois
me deixa calado, mas não sou dominado pelos seus ‘ois’ .

Uma parte de mim que é violenta,
me irrita e me tormenta
e não cansa, enfim..

Uma parte de mim...
Que é tão fugaz, astuta e voraz
Que é tão bruta, que me assusta e me compraz.

Há uma parte de mim que é locução
que tem poesia, que é provocação
que rasga a magia do meu coração.

A outra parte de mim é gota, é mar
é faísca, é fogo de pedra a lascar.
Esta parte de mim é vento de longe
que não esconde o tempo pra amar.

Crisjoli Fingal

domingo, 12 de julho de 2015

SERTÃO


A estrada que corta este sertão tem poeira, tem pó, pois é estrada feita de chão. É estrada de gente que pisa a terra, que caminha ao calor do sol, que tem força que move o passo. Gente que busca o frescor da noite para descansar a alma. É sertão esquecido por muitos. Quase não amado por ninguém.  Mas, é sertão de resistência. Sertão de paciência e de esperança. Sertão que sobreviveu ao tempo. Que alimentou o sonho e impulsionou a partida. Sertão de saída e de permanência. Sertão de terras distantes. Que poucos aventuraram. Sertão de muitas histórias. De mãos polidas e calejadas de memória. Sertão de céu azul e chão rachado. Sertão de reminiscências e de rogados. 

Crisjoli Fingal

quarta-feira, 17 de junho de 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

ORÁCULO


Os guardiões do silêncio
Já se vão repousar
Nos ninhos escondidos
Pelas florestas à beira-mar.
Talvez, a proteção e a cautela
Já estejam ameaçadas
Pelas destrezas mãos humanas.
E as vozes serão tocadas
Pelas mãos e pelas fivelas
E não haverá mais o calar.

Crisjoli Fingal

quarta-feira, 10 de junho de 2015

REGISTROS

Eu precisei afastar um pouco de mim mesmo
Deixei algumas páginas sem ler
De um livro um pouco curto.
Estive ocupado com outros planos.
Era virada de estação
O corpo tinha cheiro de primavera
Mas a lembrança era do outono.
Eu vi o sol adormecer sem vontade
Também vi o fogo consumir a tinta
E o papel morrer no nascer da chama.
Eu ouvi a última fala da noite
E consegui ver o nascer do dia.
Tive cansaço na hora imprópria
E precisei desenhar o caminho
Fui prisioneiro do não
Mas marchei por decisão
Eu estive lá...
Por isso, voltei...
Crisjoli Fingal

Cora Coralina

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